quinta-feira, 5 de abril de 2018

Entenda de uma vez o caso Cambridge Analytica X Facebook

O Facebook está enfrentando o seu ano mais difícil até hoje devido ao escândalo de uso de dados pela Cmabridge Analytica, mas afinal, do que exatamente se trata tudo isso, e o que você tem a ver com o assunto?

Cambridge Analytica X Facebook - Mark Zuckerberg

O Facebook anunciou na última quarta-feira (4) que os dados de 87 milhões de pessoas foram compartilhados de forma imprópria com a Cambridge Analytica, um número consideravelmente maior do que os 50 milhões estimados anteriormente. A grande maioria são Americanos (70 milhões) e os demais são de outros nove países, incluindo o Brasil (onde 443.117 usuários tiveram suas informações fornecidas para a Cambridge Analytica).

Mas afinal, o que é Cambridge Analytica? Como estes dados foram “vazados”? E o que eu tenho a ver com tudo isso? Vamos lá, eu vou tentar te explicar da forma mais simples e resumida possível.

A Cambridge Analytica

A Cambridge Analytica é uma empresa privada que atua no serviço de análise dados para fins comerciais ou políticos e que tem sede em Londres, mas tem escritórios nos EUA, Malásia e Brasil. A Cambridge Analytica trabalhou para a campanha eleitoral de Donald Thrump e também para o Brexit, visando a saída do Reino Unido da União Europeia.

O Caso

O Caso veio à tona em 17 de Março de 2018, quando os jornais The New York Times e The Observer reportaram que a Cambridge Analytica teria usado informações pessoais de 50 milhões de usuários do Facebook de forma indevida, mas a coisa toda começou muito antes...

Até 2015 um aplicativo chamado “This is your digital life” criado por Alexandr Kogan (um professor de psicologia da universidade de Cambridge), que prometia traçar um perfil psicológico do usuário no Facebook, coletava dados dos usuários e de seus amigos. (Sim! Sabe estas publicações do tipo: “veja como você seria se fosse do sexo oposto”, “Descubra como se parecerá o seu filho”, “Com que você vai se casar”, exatamente como estas!).

Inicialmente acreditava-se que 50 milhões de pessoas tiveram seus dados coletados pelo aplicativo, mas recentemente a estimativa aumentou para 87 milhões.

Alexandr Kogan (que é Russo por sinal...) obteve autorização do Facebook para realizar um teste de personalidade na rede social para fins acadêmicos por meio deste aplicativo. (E uma coisa muito importante aqui é que você saiba que, ao usar aplicativos como este no Facebook você dá permissão para que ele colete alguns dados do seu perfil). Na época havia menos controle destes tipos de aplicativos por parte do Facebook, e o “This is you digital life” acabou coletando além dos dados das pessoas que o utilizavam, dados dos amigos delas também.

Até aqui tudo bem, já que legalmente falando, ao usar o aplicativo os usuários deram permissão para que estes dados fossem coletados (e se você usa esses aplicativos e não confere que tipos de dados são coletados por ele antes de dar a permissão, sinto em lhe dizer, mas “azar o seu!” preste mais atenção nas próximas vezes!).

O Problema é que Kogan vendeu os dados coletados pelo seu aplicativo (aparentemente por US$ 800 mil) e o Facebook proíbe o compartilhamento de dados dos usuários com terceiros. O Facebook afirmou que a violação das políticas de privacidade da plataforma foi descoberta em 2015 e que o aplicativo foi removido na ocasião e que os envolvidos na coleta e vazamento de dados receberam solicitações formais para eliminar todos os dados obtidos (mas ao que tudo indica, até hoje estes dados não foram eliminados e continuam sendo usados...).

E aí entra mais um personagem na história toda: Christopher Wylie, um canadense que trabalhou na Cambridge Analytica quando os dados estavam sendo coletados. Ele reconheceu que ajudou a formular um plano para colher dados de usuários do Facebook e assim, construir modelos de análise que pudessem ser usados para ações de cunho político. Ou seja, coletar dados, analisa-los e usa-los em campanhas políticas.

E para finalizar, a Cambridge Analytica tem entre seus clientes Donald Thrump e grupos ligados ao Brexit (agora tire suas próprias conclusões...).

E o que eu tenho a ver com isso?

Bom, tirando o fato de que você pode estar entre os 443.117 brasileiros que tiveram seus dados fornecidos para a Cambridge Analytica e que ela pode analisar estes dados para “interferir” nas campanhas eleitorais do Brasil deste ano (já que a empresa tem escritório no Brasil e, quem sabe, pode ser contratada para a campanha...), a grande questão que eu quero que você pense é, como você está utilizando as redes sociais? Você é destes que dá permissão à aplicativos sem ler que dados exatamente eles estão coletando? Você leu os termos de uso e políticas de privacidade, não só do Facebook, mas de todas as redes sociais e ferramentas digitais que você utiliza?

Não é só o Facebook que pode ter dados vazados. Lembre-se que, se você tem um celular Android, por exemplo, a Google tem acesso a muito mais informações suas do que o Facebook (Lista de contatos, mensagens, e-mails e etc. e isso sem contar em tudo que você acessa na internet através do Google Chrome, ou os vídeos que você assiste no Youtube e arquivos que você tem no Drive!). Sobre isso eu recomendo que você leia esse artigo do Ricardo Celso no Linkedin – Muito além do caso Cambridge Analytica.

E o final da história?

Na minha opinião a história está longe de acabar e tem muita coisa a se desenrolar. Muitas medidas estão sendo tomadas pelo Facebook para evitar que coisas como esta aconteçam novamente (as políticas de privacidade estão ficando muito mais rigorosas e o acesso a dados de usuários estão ficando muito mais restritos, tanto no Facebook quanto no Instagram e você pode ver mais sobre isso AQUI e AQUI). Mas e as outras redes? Como elas estão se protegendo disso?

Nas próprias palavras de Mark Zuckerberg em uma entrevista ao Podcast da Vox:
“Eu gostaria de resolver todos os problemas em 3 ou 6 meses, mas acho que a realidade é que lidar com algumas dessas questões levará mais tempo”

Mas...

Mark Zuckerberg deveria deixar o comando do Facebook, segundo investidor.
Recentemente, o titular da controladoria de Nova York, Scott Stringer, afirmou em uma entrevista para a CNBC que o Facebook deveria mudar a estrutura de comando da empresa, incluindo seu diretor executivo, Mark Zuckerberg.

Stringer é responsável pelos investimentos do fundo de pensão da cidade de Nova York, entre os quais estão quase US$ 1 Bilhão de ações do Facebook.

Porém, na sua entrevista ao Podcast da Vox, Mark Zuckerberg disse:
“Uma das coisas que tenho muita sorte é a estrutura desta empresa, onde, no final do dia, é uma empresa controlada. Não estamos nos caprichos dos acionistas de curto prazo.”

É, acho que não vai rolar afastamento, mas muita coisa ainda tem pra acontecer nessa história toda...

Sobre o autor

JAMES WILLIAM | Social Media / Designer

Co-fundador da YouSee Marketing Digital. Trabalha com tecnologia a mais de 15 anos, com foco em Marketing Digital desde 2011. Designer apaixonado por criar Marcas, por Mídias Sociais e viciado em aprender e compartilhar conteúdo.



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